quarta-feira, 20 de setembro de 2017

A Crise da Coreia

  O conflito no Leste Asiático, mais precisamente na região das Coréias e do Japão começou logo após a Segunda Guerra Mundial, ao início da Guerra Fria. A Coreia era controlada pelo Japão. A URSS declarou guerra contra o Japão e a Coreia foi dividida em duas zonas de influência, acordado entre as duas superpotências e dividida pelo paralelo 38. O norte foi ocupado pelos comunistas chineses, soviéticos e coreanos, liderados pelo avô do atual líder coreano, Kim Il-Sung. O sul foi ocupado pelos EUA, que apoiavam os coreanos contrários aos revolucionários do norte. Nenhuma das partes aceitava a divisão feita e se declarava legítimo dono da região. Com a ascensão e influência do comunismo, inspirados pela revolução chinesa os norte coreanos invadiram o sul, iniciando então, a Guerra da Coreia. A guerra acabou em 1953, com um acordo dividindo a Coréia em duas pelo paralelo 38, entre Sul e Norte.

 Os líderes norte coreanos implantaram uma ditadura socialista no país e fazem até hoje da população refém, obrigada a trabalhar para sustentar o regime. Foram financiados diretamente pela URSS e a China desde o início da guerra até mais recentemente, no caso da China, até os dias atuais.
 Ao sul, o país viveu sob a influência do capitalismo e é aliado americano desde o fim da guerra. Atualmente, considerado um dos tigres asiáticos, é uma potência econômica na região.

 Após a eleição americana de 2016, Donald Trump disse que pretendia resolver a questão da Coréia do Norte, que já vinha fazendo ameaças aos EUA há anos mas nenhum presidente deu muita atenção. Agora a Coréia do Norte está desenvolvendo tecnologias militares cada vez mais poderosas e se acredita que em breve possuiria um míssil potente o suficiente para causar grande dano ao território americano e igualar-se ao nível de potência nuclear, além de se tornar uma ameaça aos aliados americanos.

 O primeiro teste nuclear coreano foi realizado em 2006 durante o governo Bush. Entre os 5 últimos, 4 foram durante o governo Obama. Um em 2009, um em 2013 e dois em 2016.
Sanções foram discutidas e aplicadas pela ONU, contudo, o desenvolvimento militar norte coreano não parou. Os maiores entraves para reações mais severas contra regime são como sempre, Rússia e China, dois países que buscam mais influência na ordem global. A estes países lhes interessa que os EUA tenham sua liderança ameaçada e se sintam fragilizados. Dessa forma, geralmente não apoiam ações lideradas pelos EUA ou a OTAN.

 Em setembro de 2017 a Coréia lançou seu último teste, sendo este o de maior impacto, causando um terremoto de 6,3 graus de magnitude, afetando os países da região.
 Após o teste, os países se reuniram na ONU para discutir mais sanções ao regime coreano. A China, maior aliada e parceira econômica do regime coreano, responsável por quase 60% do seu comércio, como de costume se manteve às palavras, "condenando" a ação coreana.

 Existem sérias dúvidas se tais sanções são realmente aplicadas, já que a China, não permite que seus portos e os produtos que chegam no país sejam fiscalizados. Assim não é possível afirmar que as sanções passadas na ONU são realmente cumpridas pela China.
 Existem teorias inclusive que afirmam que a China, apesar de suas declarações contrárias às ações da Coreia, está por trás desses movimentos norte coreanos, financiando diretamente o projeto de desenvolvimento nuclear norte coreano.
  A China como potência e almejante à posição como principal potência mundial possui o interesse que os EUA se concentrem em outras questões e que se fragilize a medida do possível. Além disso, a Coréia do Norte exerce a função de estado tampão, já que não lhe interessa nem um pouco á China que um país tão influenciado pelos EUA como a Coréia do Sul faça fronteira com seu país.

 Quem financia a Coreia?
 A Coreia tem várias fontes de financiamento. Além do seu comércio legal com alguns países, até mesmo com a Coreia do Sul, vou citar aqui algumas das mais polêmicas:
-  Estima-se que a Coreia envia cerca de 20 mil coreanos bem treinados, formados no exterior, para trabalharem em países onde há maiores salários, para que então enviem grande parcela de seus salários para o regime coreano por meio de bancos chineses. Se por exemplo cada um desses coreanos enviados ganha-se o salário médio anual dos EUA, para pessoas especializadas formadas, de 40 mil dólares ao ano e enviasse metade para o país, o orçamento anual seria em torno de 500 milhões de dólares. Para que esse programa se mantenha, o regime coreano monitora essas pessoas e faz ameaças, como manter suas famílias reféns, para que assim, se mantenham fiel ao programa.
- A Coréia do Norte administra uma série de empresas fantasmas no mundo que atuam em vários setores, como: venda e compra de ações, mercado imobiliário a venda de obras de arte no exterior. A maioria dessas empresas estão ligadas de alguma maneira com a China. Esses esquemas rendem milhões de dólares ao regime.
- A China está quase sempre envolvida nas questões econômicas do país e o fim do apoio ao regime coreano quebraria economicamente o regime por completo, mas a China não possui tal interesse, pelas razões já citadas. Acredita-se que a China repassa recursos diretamente à Coreia como armamentos e pesquisadores especializados e que auxilia ativamente o regime coreano em seu programa nuclear e de mísseis balísticos.

  Apesar dos fortes interesses, não seria interessante nem à Rússia ou à China um conflito direto com os EUA e o Ocidente já que suas economias dependem quase que inteiramente do ocidente.
 A Rússia exporta grande quantidade de gás natural para a Europa e uma guerra com os EUA significaria uma guerra com a OTAN, e consequentemente um corte do comércio de gás, o que resultaria num desastre para a economia russa, já que esta não é a única exportadora de gás natural no mundo.
 A China exporta dos mais variados produtos para todo o Ocidente e sua luta a favor do livre comércio entre países nos órgãos internacionais demonstra claramente que uma aversão ao seus produtos seria catastrófico para sua economia.
  Defender explicitamente um regime autoritário e de pouca expressão como o norte coreano é menos favorável que desestabilizar toda a economia de seus países. Assim, atuam de maneira mais discreta, principalmente a Rússia.

 Por essa razão a China apenas aparenta aproximar-se aos EUA e diz opor-se às ações da Coréia do Norte mas não age realmente de forma severa contra o regime. Essa enrolação da China em decidir o que fazer em relação a Coreia do Norte dá mais tempo ao regime coreano para desenvolver seu arsenal militar. O que põe cada vez mais pressão sobre os EUA para agir.
Uma guerra seria pouco provável que acontecesse pelas razões citadas acima.  Os EUA não deve esperar mais muito tempo para agir de maneira mais forte. Anteriormente a China se pronunciara dizendo que apenas interferiria no caso de que o primeiro ataque fosse lançado pelos EUA.
A Donald Trump lhe restam algumas opções, entre elas:
-  Aceitar que a Coréia do Norte, liderada pelo ditador Kim Jong-un, que aparentemente está fora de si, armado até os dentes, é uma nova potência nuclear e aprender a conviver com eles;
- Atuar pelo meio da ONU e esperar por mais sanções ao regime coreano, que historicamente não têm se mostrado muito eficientes, além de não serem realmente cumpridas;
- Tentar convencer a China a deixar de financiar o regime, argumentando que seria mais vantajoso uma aliança econômica mais forte com o Ocidente do que seguir defendendo o regime comunista de pouca expressão;
- Uma guerra comercial, cortando as relações econômicas com países aliados da Coreia, como já afirmou anteriormente como uma possibilidade;
- Atacar diretamente o país comunista, o que muito provavelmente resultaria em uma retaliação por parte da China e talvez da Rússia, sem contar que neste tempo a Coréia do Norte poderia destruir completamente a capital Seoul de seu vizinho, e até lançar uma bomba nuclear na região, resultando em milhares de mortos na Coreia do Sul e no Japão. O impacto social e político seria extremamente prejudicial aos EUA e seus aliados.
 A grande questão é que seguir esperando a que a China ou a ONU façam alguma coisa não parece mais ser tão eficiente aos EUA e o regime coreano vem desenvolvendo exponencialmente seu setor militar e alcançou mais logros nos últimos dois anos que nos últimos vinte somados e está próximo de alcançar um nível de potência nuclear capaz de poder se comparar ao americano, e consequentemente traria a possibilidade de fazer ameaças mais sérias ao mundo.
 Bombas nucleares não são desenvolvidas para serem usadas como armas, mas sim como respaldo para negociação, e Kim Jong-Un apesar de parecer suicida, sabe muito bem disso. E ter que negociar com um aparente sociopata não pode ser bom para ninguém.

Muitas vezes se é perguntado por que não existe nenhuma reação interna na Coreia do Norte. Mas não se sabe que a população coreana vive completamente alienada em relação ao mundo externo. O governo socialista controla toda a informação que entra no país e como na China, existe uma forte censura a qualquer tipo de oposição a seu governo. Além de o governo passar nas escolas a ideia de um governante endeusado, todo poderoso, e suas ações são sempre racionais. Sendo assim é muito difícil que uma reação interna seja uma opção.



As informações do texto foram encontradas em noticiários, sites de pesquisas e em grande maioria nos canais abaixo, altamente recomendados:


                                                                                                         Arthur Falcão


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