segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Sobre a regulação estatal

 Eu resolvi escrever esse artigo para contestar as pessoas que justificam a regulação estatal, afirmando que sem ela um grande monopólio seria o resultado do livre mercado. Abaixo explico minha tese:


Muitas pessoas descrevem o período no qual vivemos como neoliberalismo,  que sua diferença para o liberalismo clássico seria a existência de órgãos estatais reguladores cuja função seria evitar a concentração de um mercado nas mãos de poucas empresas, que segundo elas seria o resultado do livre mercado e assim justificam a existência de empresas reguladoras burocráticas. O mais interessante é que justamente os setores onde há mais regulação estatal são os mesmos setores onde o serviço é pior. Vou começar falando do caso brasileiro, no setor de telecomunicações, que é completamente regulado pela Anatel. Por que o serviço de rede no Brasil é tão ruim? Por que o serviço de redes é tão mais caro aqui do que em países onde não há ou há menos regulação?

Pois é, essa é uma prova de como a intervenção por meio de uma agência reguladora não evita, mas sim é a principal causa da falta de competição no mercado. Por que nos países onde a regulação é menor, como no Japão, Coréia e EUA não se formam coalizões entre as grandes empresas para controlar todo o setor de telecomunicações?

Do ponto de vista econômico, a burocracia não é benéfica, ela não possui nenhuma utilidade econômica, o que leva a crer que isso é apenas mais uma intervenção do governo que faz dessas empresas um meio para realização de favores políticos. Não são raros os casos onde “colegas” do governo são indicados para dirigir tais empresas onde recebem supersalários ou empresas estatais onde há vários cargos inúteis e improdutivos, como é o caso dos Correios, onde há 8 vice-presidentes. Tudo isso é pago com dinheiro tomado a força da  parte produtiva da população.

Além do parasitismo, essas empresas reguladoras ainda impedem, junto com a legislação que empresas estrangeiras entrem no mercado brasileiro para oferecer seu serviço. A burocracia é tão pesada que grandes empresas de telecomunicações como as asiáticas ou americanas preferem não entrar no mercado para buscar lucro. No final das contas o governo apenas permite que entrem empresas lobistas no mercado.

O resultado final é que o governo elimina a concorrência, não permite o investimento externo e acaba com potenciais novos empregos. Terminamos por pagar por um serviço pífio das operadoras e pelos salários dos empregados anti-produtivos da Anatel. Essa intervenção por meio de regulação serve apenas para criar mais cargos desnecessários que são assalariados com dinheiro público.

O oligopólio é notado quando você, revoltado por receber apenas 10% da velocidade ofertada, migra de uma operadora para outra. Ao princípio o serviço melhora mas com o passar do tempo começa a piorar e ao final fica do mesmo nível que já era oferecido pela operadora anterior. A população é enganada pela propaganda estatal suja, que se aproveita da ignorância para passar suas medidas monopolistas.

Além da Anatel, existem muitos outros exemplo brasileiros de regulação que apenas servem para dificultar a vida da população. O MEC(Ministério da Educação) por exemplo, estipula que os professores com formação no Brasil tenham preferência na hora da contratação em instituições de ensino. Ou seja, a educação brasileira regulada pelo MEC é tão ruim que o próprio MEC tem que incentivar as universidades e escolas a contratarem professores com diplomas carimbados pelo MEC.  Outras pessoas que tiveram uma formação no exterior ficam em segundo plano ou às vezes nem mesmo têm seu diploma reconhecido, já que para o MEC o importante é o diploma carimbado pelo burocrata e o conhecimento acaba ficando de lado. O MEC apenas reconhece como centro de ensino aquele instituto que possui sua autorização para tal, após ter passado pelos requerimentos e cumprir com todas as suas medidas autoritárias. Se alguém decidir dar aula de forma clandestina será punido por meio de multa ou pior. Resumindo, um burocrata diz que você só poderá dar aula se estiver de acordo com as normas que ele mesmo estipulou e se você não concorda não lhe resta outra coisa a não ser obedecer ou atuar ilegalmente. Por essa razão muitas pessoas desistem de abrir a própria instituição de ensino já que não se veem capazes de cumprir com todas essas medidas e acabam trabalhando como professores em outras escolas. Mais uma vez, o governo destruindo empregos e a competição.

Anvisa, agência da inconveniência

Na minha opinião, o pior exemplo de órgão regulador brasileiro é a Anvisa, uma instituição que atua de maneira autoritária, digna de ditadura.

Primeiramente, muitas pessoas dizem que a regulação da Anvisa é importante para que não se vendam produtos estragados ou fora da validade aos consumidores. Mas então trago um questionamento a essas pessoas: já que a Anvisa só foi fundada em 1999, será que até sua fundação, comíamos produtos estragados e não sabíamos?

Vou citar alguns exemplos do autoritarismo da Anvisa:

 Em 2009 a Anvisa estipulou que centenas de remédios não ficariam mais à disposição direta dos consumidores nas farmácias, que então teriam que ir a médicos especializados para que o médico  então, lhe autorizasse a comprar o remédio. Não é porque algumas pessoas utilizam de maneira irresponsável os remédios que eles devem ser regulados. Será que daqui um tempo nos pedirão para ir a um psicólogo para saber se podemos ingerir bebidas alcoólicas? O pior de tudo é que o próprio povo gosta de ser tratado como idiota, onde alguém tem que lhe dizer o que pode ingerir ou não , e o comprova ao aceitar e às vezes até apoiar medidas autoritárias como essa.
A Anvisa proíbe o comércio de vários produtos artesanais mas permite que estes mesmos produtos sejam vendidos industrializados. Qualquer produto a ser comercializado deverá possuir um selo da Anvisa. Se você plantar maçãs na sua casa e vendê-las sem um selo da Anvisa, estará sujeito a multa como punição porque a Anvisa acha que sua maçã é perigosa demais para ser consumida sem o seu selo de aprovação. Não é atoa que cada vez mais os produtos industrializados têm tomado conta do mercado e os produtos caseiros vêm desaparecendo e migrando para o mercado informal.
Se você comprar algum produto como suplementos pela internet, que vem de fora do Brasil e enviá-lo para cá, a Anvisa apenas permitirá que você o receba caso a mesma Anvisa diga que o seu uso e eficácia sejam de fato seguro e comprovados, caso contrário eles manterão seu produto retido, ou seja, roubam o seu produto, já que eles, não você, devem decidir o que você deve ou não consumir. Diferente do setor privado a agência não irá te perguntar se você quer ou não os seus serviços, assim você é obrigado a aceitá-los  e ainda pagar por eles.

Com esses exemplos dá para perceber como a Anvisa funciona de forma a retirar bons produtos dos nossos alcances por produtos de pior qualidade. Como nos dificulta a vida, obrigando uma pessoa, que muitas vezes tem de pegar um ônibus e esperar horas para ser atendido para simplesmente um médico lhe passar a receita de um medicamento básico. A Anvisa age querendo proteger você de você mesmo e ainda assim, o pior é que parte da população ainda concorda com essas medidas, que dão a entender que não somos mais seres humanos racionais, mas sim um bando de imbecis.

Outro exemplo de intervenção estatal que me leva realmente a questionar se os legisladores de fato pensaram antes  de aprová-la é aquela que aumenta os impostos sobre produtos que “fazem mal à saúde”. Aqui no Brasil, nós pagamos mais pelos impostos do que pela própria bebida. Os impostos sobre bebidas alcoólicas chegam a valer 80% do preço final do produto, o preço que aparece nas prateleiras. Ou seja, um produto cujo preço real deveria ser de 20 reais termina por custar 100, adicionadas as taxas. O resultado disso é que a população de baixa renda que poderia consumir um produto de boa qualidade por 20 reais, não tem mais condições financeiras de consumir-lo, e agora tem que consumir um produto de qualidade muito inferior pelos mesmos 20 reais, cujo preço real seria de 4 reais. Essa é mais uma medida elitista do governo e a prova de que o governo não te representa. Em pouco tempo, se alguém quiser se embriagar terá de consumir álcool em gel.

A origem dos monopólios

Sobre a origem dos monopólios, os intervencionistas afirmam que a origem das agências reguladoras foi o resultado da formação de trusts no mercado.

Se você olhar para a história, mais precisamente no final do século XIX, verá que os primeiros monopólios e oligopólios foram formados justamente porque grandes empresas tinham dificuldades em concorrer num livre mercado, quando não haviam barreiras burocráticas para as classes mais baixas abrirem um novo negócio, e assim cada vez mais empresas entravam para competir com essas grandes empresas. Os grandes empresários, vendo sua parcela de mercado(market share) sendo reduzida pouco a pouco, se sentiram ameaçados e apelaram para agentes governamentais para que seu negócio não fosse prejudicado, tornando-se verdadeiros corporativistas. Com o poder que esses grandes empresários possuíam, não era muito difícil convencer legisladores a cooperarem. A partir daí, começaram a passar leis anti-trust que tinham um objetivo completamente diferente além daquele que seu nome sugere. O intervencionismo afinal, não foi aplicado para acabar com o oligopólio criado pelas grandes empresas, mas sim para criar um, que não havia sido possível num mercado competitivo de laissez-faire. Os próprios grandes empresários da época foram a favor de tais intervenções, entre eles Henry Morgan e os grandes nomes da indústria ferroviária. Atualmente o McDonalds é um exemplo de empresa que luta por todo tipo de intervenção governamental.  Ou será que as próprias empresas querem uma legislação que vá em contra dos seus interesses?

Não há um exemplo no mundo de monopólio sem que antes uma interferência estatal não tivesse garantido esse privilégio ao monopolista. Pelo outro lado, há inúmeros exemplos de monopólios garantidos pela própria legislação. O próprio Estado(no sentido mais amplo) é um exemplo de monopólio da força e da justiça. Resumindo, o privilégio de um monopólio só pode ser criado pelo Estado e não como resultado do livre-mercado.

Atualmente as empresas dominantes nos setores mais livres, não são dominantes porque não há concorrência, mas sim porque oferecem um bom serviço. Imagino eu que seu site de pesquisa favorito seja o google, que o seu meio de comunicação mais usual seja o WhatsApp, que o app de carona que você prefere seja o Uber, que seu refrigerante favorito seja da Coca-Cola ou o Guaraná Antártica ou você que gosta de videogame prefira o Fifa ao Pes.

As pessoas que defendem a intervenção por meio da legislação com agências reguladoras menosprezam completamente o poder do mercado, de evoluir e achar medidas cada vez mais eficientes e baratas que melhoram nosso padrão de vida. Não se imaginava a criação de automóveis ou de aviões quando o setor ferroviário e naval dominavam completamente o setor dos transportes no mundo. Os computadores por exemplo, devastaram o mercado das máquinas datilográficas quando começaram a ser comercializados. O exemplos são de fato, incontáveis.

Todas essas inovações foram permitidas porque havia liberdade para inovar. À medida que seja cada vez mais difícil e menos incentivadora a inovação, realmente possuiremos um mercado estagnado, devagar e monopolista.

O ser humano possui um instinto natural de ser criativo e inovador mas o aparato estatal burocrático dificulta que ele o seja já que isso significaria mais concorrência para “os colegas” do governo. Um indivíduo criativo que não tem condições de abrir seu próprio negócio por conta das dificuldades autoritárias impostas pelo governo faz com que este trabalhe para um empresário desonesto que possui contatos no governo, em vez de tornar-se um potencial concorrente.

Conclusão

Minha intenção é alertar a quem eu puder das ações autoritárias de governos. Toda vez que um governo disser que aprovará certa medida pelo bem da população, desconfie e questione se isso é realmente verdade e necessário ou se tal medida viola os princípios da ética e da moralidade.
Nunca esqueça, o governo não te representa, você mesmo se representa, jamais confie em políticos populistas. A tendência dos governos é expandir-se cada vez mais, sempre com discursos bonitos mas a expansão do governo implica necessariamente na supressão da liberdade individual. Que nada nos faça abrir mão da nossa liberdade.
A verdade é que a tendência seja piorar já que os meios de propaganda estatais são bastante ativos e a população que não busca informar-se por outros meios normalmente não percebe o perigo dos programas governamentais. A propaganda é propagada das mais diversas formas: nas escolas, nos meios de comunicação ou por meio de intelectuais que atuam junto ao governo.
 Vivemos em um país onde temos que pedir autorização a um burocrata para realizar qualquer tipo de comércio e isso piora a cada dia que passa.
Seguiremos assim até que a população se conscientize e tenha mais apreço pela própria liberdade e se dê conta de quão ruim são essas intervenções em suas vidas. Não nos deixemos enganar pela propaganda silenciosa para alertar-nos como ela é feita, identificar-la e combatê-la.

   "Ideias e somente ideias podem iluminar a escuridão" - Ludwig Von Mises



                                                                                 Arthur Falcão



                                                                                

quarta-feira, 11 de outubro de 2017

Uma análise do Bem-estar Social

O Estado de Bem-estar Social é o nome que se dá à organização política-social do governo que tem como objetivo a busca por uma maior igualdade entre a população. Em geral, se busca garantir as necessidades básicas à população: educação, saúde, alimentação e em certos casos até mesmo moradia.

 Historicamente o Estado de Bem-estar Social foi uma política defendida por movimentos sociais a partir do século XIX, período de maior progresso econômico da história. Pouco a pouco essas políticas foram sendo adotadas e desenvolvidas. Ao princípio muitas pessoas pagavam para poucas e não havia um gasto muito relativo. Logo após o fim da Segunda Guerra, essas políticas se estabeleceram de vez, principalmente na Europa após o estabelecimento da social-democracia e os programas foram se expandindo cada vez mais e os gastos eram cada vez mais altos.

 Essas políticas realmente geram uma maior igualdade entre a população, mas será que a igualdade deve ser mais importante do que a liberdade do ser humano? Qual o custo que isso implica?

Qual o custo do bem estar social?


 Acredito que serviços básicos não podem ser direitos. Como pode ser um direito se ele não é natural do homem? Como o serviço teria que ser oferecido por outro indivíduo, não se pode dizer que serviços básicos são direitos.

 A igualdade posta sobre a liberdade por meio da força, acaba destruindo a própria igualdade e a liberdade, já que o poder para tal, acaba terminando nas mãos de alguém que o usa para promover interesses próprios. Países que adotaram a liberdade acima da igualdade terminaram por ser nações prósperas e mais igualitárias como a Suíça e a Austrália.
O uso da força como método para adotar políticas assistencialistas geram diversos problemas, entre eles:

-  Para gastar o dinheiro de outra pessoa você terá de tomar o dinheiro dela, que é exatamente como o governo faz, dessa forma, o uso da força está na essência do Bem-estar Social. Por ser uma falsa solidariedade, já que não é voluntária, acaba-se construindo um sentimento contrário à verdadeira solidariedade, ele destrói a verdadeira caridade, intrínseca no ser humano. As pessoas pensam que como já pagam altos impostos para esses programas, elas não têm o dever com outros indivíduos, como assistir uma pessoa na ruas ou até mesmo ajudar um familiar doente, já que ele já possui saúde “ de graça”.
-  Um outro grande problema do Estado de Bem-estar Social é o comodismo que ele gera nas pessoas. Como já lhes são garantidas tantas coisas, elas não têm de se preocupar muitas vezes em aprimorar-se e buscar um emprego melhor, pois não lhe fará falta. O que também acaba gerando certa revolta por parte da população que se dedica e termina por pagar essas garantias forçadas do governo.
-  Para o governo oferecer os serviços básicos, alguém tem de oferecer-los e para tanto, há custos e o dinheiro tem de sair de algum lugar. A única fonte de renda do governo é o dinheiro da população, o governo terá que tirar de alguma forma da população, seja diretamente, por meio de tributos; indiretamente, por meio da inflação ou por meio dos lucros de uma empresa estatal num setor onde normalmente é proibida a competição. O governo como péssimo administrador de recursos,e não possuir um incentivo econômico, não terá eficiência na prestação de serviços, assim, os gastos serão cada vez mais altos e a qualidade diminui aos poucos. O serviço é tão ruim que muitas vezes as pessoas preferem pagar pelo mesmo serviço no setor privado onde sabem que terão um serviço de melhor qualidade. Sabendo disso, o governo para não perder sua autoridade no mercado, intervém aprovando medidas que dificultam que entes privados ofereçam os mesmos serviços prestados pelo governo, como leis que definem que o governo irá regular todo o ensino e a saúde, decidindo arbitrariamente quem pode ou não pode dar aula ou oferecer assistência médica, por exemplo: Se alguém quiser dar aula de matemática na própria casa cobrando pelo serviço, ela teria de pedir permissão do governo para tal ou ter um diploma reconhecido pelo governo, independentemente se esta pessoa possua o conhecimento ou não para tal.  Outro exemplo são leis passadas que aumentam a burocracia para uma pessoa que queira oferecer um serviço de saúde, cobrando pelo serviço. Mesmo que ela possua o conhecimento para prestar uma boa assistência médica, o governo somente permitirá se ela possuir um diploma carimbado por um burocrata, caso contrário você está fora da lei, sujeito a ser punido severamente. O diploma reconhecido pelo Estado, nos dois casos, vale mais que o próprio conhecimento.
No final das contas, o governo quer proteger o consumidor dele mesmo.


 O economista Milton Friedman explica as 4 formas de como se pode gastar o dinheiro, são elas:

  1. Quando você gasta o seu dinheiro com você mesmo. Então aí se buscará o melhor preço pela melhor qualidade.
  2. Quando você gasta o seu dinheiro com os demais. Aqui se buscará sempre o melhor preço mas nem sempre pela melhor qualidade.
  3. Quando você gasta o dinheiro dos outros com você mesmo. Então se buscará a melhor qualidade sem se preocupar com o preço.
  4. Quando você gasta o dinheiro dos outros para os outros. Aqui você não se importa nem com o preço nem com a qualidade. E é justamente dessa maneira que o governo administra os recursos públicos. Ou seja, ele não possui nenhum incentivo econômico para oferecer um bom serviço, a não ser a sua boa vontade.



 É por esta razão que os recursos nas mãos de alguém que não possui incentivos, a não ser a própria boa vontade, não são bem administrados.   
 O serviço público não está a mercê do consumidor mas sim o contrário. Quando, pelo outro lado, o serviço é oferecido pelo setor privado, o prestador depende do consumidor para sobreviver no mercado.
 Diferente das relações com o governo, a relação comercial da população entre sí é voluntária e benéfica, já que uma troca apenas acontecerá caso ambas as partes sintam que se beneficiarão de tal troca.
 Até mesmo a forma de pensar na hora de oferecer um serviço é diferente, o servidor público, com seu salário já garantido, ao receber um serviço extra, pensará que terá um trabalho extra a fazer, ou seja, desnecessário (não que esta seja a regra mas como eu disse, dependerá da sua boa vontade). Um servidor no setor privado, que depende do consumidor para receber um bom salário, imagina que na hora de oferecer um serviço é uma oportunidade de ganhar mais dinheiro.

 Quando o governo cobra impostos da população para oferecer seus péssimos serviços, ele parte do pressuposto que pode gastar melhor o seu dinheiro do que você mesmo. O dinheiro que você poderia estar usando para investir em algum projeto pessoal ou até mesmo para doar à caridade é retirado de você a força e usado muitas vezes para pagar assistência médica a uma pessoa que fuma cigarro ou se alcooliza com frequência. Você que se dedica para se manter saudável termina pagando pela saúde de alguém que não preza tanto pela própria saúde. Outro exemplo é quando alguém que valoriza o aprendizado e se dedica e se sacrifica para poder financiar seus estudos ou prefere estudar em casa, ou até mesmo não gosta de estudar e prefere viver de outra coisa, paga coercitivamente para outra pessoa estudar, ainda que ela não dê valor ao estudo ou ao teu dinheiro, muitas vezes ela é financiada para fazer um curso numa faculdade que nem mesmo lhe interessa, mas se inscreve pelo simples fato de ser "grátis".
 Algo que é ainda pior é quando o governo utiliza o seu dinheiro retirado a força para aplicá-lo em algum setor “estratégico” e justifica dizendo que isso incentivará a economia.
No Brasil existe um banco de desenvolvimento(BNDS) que repassa dinheiro público a setores "estratégicos" da economia. Financiamos grandes empresários como os irmãos Joesley da JBS, Eike Batista e Emilio Odebretch. Tudo em nome do "incentivo à economia". Fomos obrigados a financiar estádios de futebol que seriam utilizados na Copa. O governo coagiu empresas e pessoas produtivas a financiarem os estádios. Em vez dessas mesmas empresas contratarem novos empregados, tiveram que passar parte da receita ao governo. O dinheiro foi retirado de um setor a força para ser alocado em outro porque o governo “acha” que a Copa é mais importante que novos empregos.
 No Brasil também, uma vez que o governo define o que é cultura, somos obrigados a financiar artistas já conceituados que já são completamente capazes de financiar o próprio evento. Tudo sob a legenda de “incentivos à cultura”, ou seja, não você, mas o governo decide o que é ou não é cultura e quer você goste ou não será obrigado a pagar por isso.
 O governo ainda faz uso da propaganda para tentar legitimar suas atitudes injustas, como por exemplo, quando o governo quer implantar um novo programa, muitas vezes, celebridades que são grandes influenciadoras das massas são chamadas para fazerem propaganda. Ou como antes da Copa, quando um jogador famoso afirmou que: “Copa do Mundo se faz com estádios e não hospitais”


As consequências do Bem-estar Social
 A implementação do Bem-estar Social causou a estagnação de economias altamente desenvolvidas que estavam entre as maiores do mundo antes da sua implementação. Os países europeus (não todos) são os países onde há maior presença dessas políticas. Com o aumento da burocracia para abrir negócios, aumento de impostos e bancos centrais cada vez mais inflacionários e autoritários, empresas foram se afastando desses países, e a criação de novas empresas locais foi reduzida a níveis ridículos, permanecendo então apenas as empresas já estabelecidas no mercado (que aliás são praticamente todas a favor dessas políticas que dificultam a concorrência), dessa forma, as economias desses países têm ficado cada vez menos dinâmicas em relação a outros países. Não é atoa que os países europeus têm perdido cada vez mais espaço no comércio mundial, principalmente a partir do fim da Segunda Guerra.
 Países ricos podem ser dar ao luxo de tomar mais decisões ruins que países mais pobres, a Europa que antes era o centro do mundo e do comércio, aderiu  a essas políticas, e apenas meio século de políticas ruins foram capazes de afastar a Europa do centro do mundo. Uma hora não haverá condições de que se siga assim e alguma decisão radical terá de ser tomada, já que essas políticas são insustentáveis e fonte de corrupção.
A Alemanha, que não aderiu da mesma forma o Bem-estar Social, atualmente é a principal potência europeia e possui uma economia altamente dinâmica.

E a Suécia?
 Essa é a pergunta que muitos defensores do Estado de Bem-estar Social e a social-democratas fazem, afirmando que as políticas assistencialistas funcionam nesse país e por essa razão o país é desenvolvido e próspero. Realmente, a Suécia possui um IDH elevado e uma desigualdade mínima. Mas muito pelo contrário, a razão de todo esse desenvolvimento são os altos impostos e as políticas assistencialistas.
 A Suécia viveu um longo período de Laissez-faire, entre 1870 e 1950, chegando a ter a posição de quarta maior economia do mundo, por conta de seu comércio desenvolvido. Durante a década de 50 a Suécia passou a adotar políticas assistencialistas e as afirmanou definitivamente durante a década de 70. Já nessa época a Europa estava se desenvolvendo rapidamente, liderada pela Alemanha Ocidental, mas a Suécia permaneceu estagnada. O país, já burocratizado viveu a pior crise da sua história durante a década de 90. A resposta para a crise foi um recuo nas políticas assistencialistas por parte do governo e redução de gastos, que foi o que permaneceu até hoje.
 O governo sueco cobra os impostos de maneira mais transparente, o que facilita o desenvolvimento da economia. Os impostos não são cobrados sobre a própria atividade econômica, ou seja, bens e serviços não são altamente taxados, tornando o comércio acessível a todas as classes. Os impostos são cobrados principalmente sobre renda da população, de onde é retirado em média 50%.
Altos impostos não são o único fator que leva ao alto padrão de vida da Suécia. Cobrar altas taxas não significa de maneira alguma um aumento do padrão de vida, existem países onde também se cobram altos impostos mas o padrão de vida é baixo, como no Brasil.
 A causa do alto nível de vida na Suécia e nos países nórdicos é porque antes da implementação do welfare state estas já eram nações ricas.
Como eu disse, meio século de Bem-estar Social foram capazes de tirar a Europa do centro do mundo e um país como a Suécia que possuía a quarta maior economia mundial não é nem lembrada como potência econômica nem mesmo na Europa.
 Concluindo, a Suécia não é nem de longe um exemplo de socialismo. O Estado de Bem-estar Social tem causado a decadência do país, não só no aspecto econômico mas também no social. Como a Suécia atrai muitos imigrantes por suas políticas assistencialistas, a cultura local acaba sendo relativizada já que muitos imigrantes que chegam nem mesmo a respeitam. A Suécia possui a maior taxa de estupro da Europa e vem sofrendo com atos de terrorismo recentemente. O país, assim como toda a Europa em geral, está perdendo sua identidade cultural. Estima-se que em apenas 30 anos países como a França, Bélgica e Suécia terão mais da metade da sua população formada por descendentes de imigrantes. O que demorou mais de um milênio para se formar, será destruído em meio século se estes países seguirem por esse caminho.


O assistencialismo subsidiando o terrorismo na Europa

 Acredito eu que o problema do terrorismo na Europa não é o imigrante, como muitos acusam, mas sim o forte assistencialismo que existe nesses países. Explicarei o porque:

 Uma vez vi uma palestra do professor Márcio Coimbra, onde apresentava sua tese e explicava como o assistencialismo gerava células de terrorismo na Europa, sua explicação foi basicamente a seguinte:

 O Brasil é o melhor exemplo no mundo de cooperação entre indivíduos de etnias e culturas tão diversas. Aqui nascem mais descendentes libaneses e sírios do que nesses próprios países.
 Os EUA também acolhe grandes quantidades imigrantes todos anos das mais diversas etnias e raças do planeta. Esses países são exemplos de diversidade cultural e miscigenação, ainda assim, apesar dessa diferença cultural, muitos desses imigrantes, após terem passado um curto período nesses países, têm orgulho de ter passado parte de sua formação no país onde estão. Mas por que esse tipo de integração não acontece na Europa, ou pelo menos, acontece com menos intensidade? Por que não se vê nesses países notícias de atentados terroristas realizados por imigrantes da forma que se percebe na Europa?

 A Europa é a região mais assistencialista do planeta, uma das regiões que mais recebe imigrantes e aonde há mais casos de terrorismo no Ocidente. Será que há alguma relação entre o assistencialismo europeu com terrorismo?

 O imigrante, ao saber do Estado assistencialista que existe na Europa, é estimulado a entrar nesses países para melhorar sua condição de vida e buscam aos montes ir para esses países.
 Imagine um imigrante que entra na França por exemplo: O lugar que ele busca para morar geralmente é em um subúrbio afastado onde ele encontrará pessoas de mesma origem que a sua. O governo então auxilia essa pessoa de diversas formas, auxílio de moradia, alimentação, educação, saúde, seguro desemprego, etc... . O imigrante é empregado em algum comércio perto de sua casa e ao ser despedido, recebe um seguro desemprego no mesmo valor, ou quase, que o salário original, por um período de até dois anos, com direito a renovação, caso não “encontre” um emprego. Ou seja, o imigrante recebe uma pensão sem estar trabalhando e acaba não se integrando na sociedade e não aprende nem mesmo o idioma local. O que ele faz com esse tempo livre? O imigrante então acaba se relacionando apenas com seus conterrâneos e não aprende a cultura local, muitas vezes ainda afirma que odeia o país onde vive e assim formam-se células terroristas no país.
Os atores dos casos de terrorismo na França  possuem quase todos essas mesmas características.

Pelo outro lado, nos EUA, quando um imigrante chega no país, ele sabe que não receberá tanta assistência e dessa forma, terá de se virar para poder viver. Então, o imigrante busca o emprego que lhe pareça mais conveniente e não se mantém engessado a um subúrbio de imigrantes, já que as melhores oportunidades de emprego não estão perto desses lugares. Assim então, o imigrante acaba se integrando na sociedade, aprende o idioma e muitas vezes até forma sua própria família no país. Por essa razão, tantos imigrantes se sentem orgulhosos de poderem ter tido a oportunidade de formar seu patrimônio e sua família e são agradecidos ao país, sentindo-se verdadeiros americanos.


Conclusão
 O Estado de Bem-estar Social é um exemplo de política que traz muitos problemas para uma sociedade e apesar de toda a propaganda estatal a favor dessas políticas, é preciso se conscientizar dos perigos dessas medidas. Quando essas políticas são aceitas pela população, o governo vai querer intervir e controlar cada vez mais nossas vidas, tirando nossa liberdade de utilizar nosso próprio dinheiro da maneira como nos convenha. Por isso apelo mais uma vez a que as pessoas tenham mais amor pela querida liberdade e não se deixem enganar pela propaganda estatal que tenta colocar na cabeça da população que o governo sabe gastar o seu dinheiro melhor do que você mesmo.   



                                        
                                                                                                Arthur Falcão