Eu resolvi escrever esse artigo para contestar as pessoas que justificam a regulação estatal, afirmando que sem ela um grande monopólio seria o resultado do livre mercado. Abaixo explico minha tese:
Muitas pessoas descrevem o período no qual vivemos como neoliberalismo, que sua diferença para o liberalismo clássico seria a existência de órgãos estatais reguladores cuja função seria evitar a concentração de um mercado nas mãos de poucas empresas, que segundo elas seria o resultado do livre mercado e assim justificam a existência de empresas reguladoras burocráticas. O mais interessante é que justamente os setores onde há mais regulação estatal são os mesmos setores onde o serviço é pior. Vou começar falando do caso brasileiro, no setor de telecomunicações, que é completamente regulado pela Anatel. Por que o serviço de rede no Brasil é tão ruim? Por que o serviço de redes é tão mais caro aqui do que em países onde não há ou há menos regulação?
Pois é, essa é uma prova de como a intervenção por meio de uma agência reguladora não evita, mas sim é a principal causa da falta de competição no mercado. Por que nos países onde a regulação é menor, como no Japão, Coréia e EUA não se formam coalizões entre as grandes empresas para controlar todo o setor de telecomunicações?
Do ponto de vista econômico, a burocracia não é benéfica, ela não possui nenhuma utilidade econômica, o que leva a crer que isso é apenas mais uma intervenção do governo que faz dessas empresas um meio para realização de favores políticos. Não são raros os casos onde “colegas” do governo são indicados para dirigir tais empresas onde recebem supersalários ou empresas estatais onde há vários cargos inúteis e improdutivos, como é o caso dos Correios, onde há 8 vice-presidentes. Tudo isso é pago com dinheiro tomado a força da parte produtiva da população.
Além do parasitismo, essas empresas reguladoras ainda impedem, junto com a legislação que empresas estrangeiras entrem no mercado brasileiro para oferecer seu serviço. A burocracia é tão pesada que grandes empresas de telecomunicações como as asiáticas ou americanas preferem não entrar no mercado para buscar lucro. No final das contas o governo apenas permite que entrem empresas lobistas no mercado.
O resultado final é que o governo elimina a concorrência, não permite o investimento externo e acaba com potenciais novos empregos. Terminamos por pagar por um serviço pífio das operadoras e pelos salários dos empregados anti-produtivos da Anatel. Essa intervenção por meio de regulação serve apenas para criar mais cargos desnecessários que são assalariados com dinheiro público.
O oligopólio é notado quando você, revoltado por receber apenas 10% da velocidade ofertada, migra de uma operadora para outra. Ao princípio o serviço melhora mas com o passar do tempo começa a piorar e ao final fica do mesmo nível que já era oferecido pela operadora anterior. A população é enganada pela propaganda estatal suja, que se aproveita da ignorância para passar suas medidas monopolistas.
Além da Anatel, existem muitos outros exemplo brasileiros de regulação que apenas servem para dificultar a vida da população. O MEC(Ministério da Educação) por exemplo, estipula que os professores com formação no Brasil tenham preferência na hora da contratação em instituições de ensino. Ou seja, a educação brasileira regulada pelo MEC é tão ruim que o próprio MEC tem que incentivar as universidades e escolas a contratarem professores com diplomas carimbados pelo MEC. Outras pessoas que tiveram uma formação no exterior ficam em segundo plano ou às vezes nem mesmo têm seu diploma reconhecido, já que para o MEC o importante é o diploma carimbado pelo burocrata e o conhecimento acaba ficando de lado. O MEC apenas reconhece como centro de ensino aquele instituto que possui sua autorização para tal, após ter passado pelos requerimentos e cumprir com todas as suas medidas autoritárias. Se alguém decidir dar aula de forma clandestina será punido por meio de multa ou pior. Resumindo, um burocrata diz que você só poderá dar aula se estiver de acordo com as normas que ele mesmo estipulou e se você não concorda não lhe resta outra coisa a não ser obedecer ou atuar ilegalmente. Por essa razão muitas pessoas desistem de abrir a própria instituição de ensino já que não se veem capazes de cumprir com todas essas medidas e acabam trabalhando como professores em outras escolas. Mais uma vez, o governo destruindo empregos e a competição.
Anvisa, agência da inconveniência
Na minha opinião, o pior exemplo de órgão regulador brasileiro é a Anvisa, uma instituição que atua de maneira autoritária, digna de ditadura.
Primeiramente, muitas pessoas dizem que a regulação da Anvisa é importante para que não se vendam produtos estragados ou fora da validade aos consumidores. Mas então trago um questionamento a essas pessoas: já que a Anvisa só foi fundada em 1999, será que até sua fundação, comíamos produtos estragados e não sabíamos?
Vou citar alguns exemplos do autoritarismo da Anvisa:
Em 2009 a Anvisa estipulou que centenas de remédios não ficariam mais à disposição direta dos consumidores nas farmácias, que então teriam que ir a médicos especializados para que o médico então, lhe autorizasse a comprar o remédio. Não é porque algumas pessoas utilizam de maneira irresponsável os remédios que eles devem ser regulados. Será que daqui um tempo nos pedirão para ir a um psicólogo para saber se podemos ingerir bebidas alcoólicas? O pior de tudo é que o próprio povo gosta de ser tratado como idiota, onde alguém tem que lhe dizer o que pode ingerir ou não , e o comprova ao aceitar e às vezes até apoiar medidas autoritárias como essa.
A Anvisa proíbe o comércio de vários produtos artesanais mas permite que estes mesmos produtos sejam vendidos industrializados. Qualquer produto a ser comercializado deverá possuir um selo da Anvisa. Se você plantar maçãs na sua casa e vendê-las sem um selo da Anvisa, estará sujeito a multa como punição porque a Anvisa acha que sua maçã é perigosa demais para ser consumida sem o seu selo de aprovação. Não é atoa que cada vez mais os produtos industrializados têm tomado conta do mercado e os produtos caseiros vêm desaparecendo e migrando para o mercado informal.
Se você comprar algum produto como suplementos pela internet, que vem de fora do Brasil e enviá-lo para cá, a Anvisa apenas permitirá que você o receba caso a mesma Anvisa diga que o seu uso e eficácia sejam de fato seguro e comprovados, caso contrário eles manterão seu produto retido, ou seja, roubam o seu produto, já que eles, não você, devem decidir o que você deve ou não consumir. Diferente do setor privado a agência não irá te perguntar se você quer ou não os seus serviços, assim você é obrigado a aceitá-los e ainda pagar por eles.
Com esses exemplos dá para perceber como a Anvisa funciona de forma a retirar bons produtos dos nossos alcances por produtos de pior qualidade. Como nos dificulta a vida, obrigando uma pessoa, que muitas vezes tem de pegar um ônibus e esperar horas para ser atendido para simplesmente um médico lhe passar a receita de um medicamento básico. A Anvisa age querendo proteger você de você mesmo e ainda assim, o pior é que parte da população ainda concorda com essas medidas, que dão a entender que não somos mais seres humanos racionais, mas sim um bando de imbecis.
Outro exemplo de intervenção estatal que me leva realmente a questionar se os legisladores de fato pensaram antes de aprová-la é aquela que aumenta os impostos sobre produtos que “fazem mal à saúde”. Aqui no Brasil, nós pagamos mais pelos impostos do que pela própria bebida. Os impostos sobre bebidas alcoólicas chegam a valer 80% do preço final do produto, o preço que aparece nas prateleiras. Ou seja, um produto cujo preço real deveria ser de 20 reais termina por custar 100, adicionadas as taxas. O resultado disso é que a população de baixa renda que poderia consumir um produto de boa qualidade por 20 reais, não tem mais condições financeiras de consumir-lo, e agora tem que consumir um produto de qualidade muito inferior pelos mesmos 20 reais, cujo preço real seria de 4 reais. Essa é mais uma medida elitista do governo e a prova de que o governo não te representa. Em pouco tempo, se alguém quiser se embriagar terá de consumir álcool em gel.
A origem dos monopólios
Sobre a origem dos monopólios, os intervencionistas afirmam que a origem das agências reguladoras foi o resultado da formação de trusts no mercado.
Se você olhar para a história, mais precisamente no final do século XIX, verá que os primeiros monopólios e oligopólios foram formados justamente porque grandes empresas tinham dificuldades em concorrer num livre mercado, quando não haviam barreiras burocráticas para as classes mais baixas abrirem um novo negócio, e assim cada vez mais empresas entravam para competir com essas grandes empresas. Os grandes empresários, vendo sua parcela de mercado(market share) sendo reduzida pouco a pouco, se sentiram ameaçados e apelaram para agentes governamentais para que seu negócio não fosse prejudicado, tornando-se verdadeiros corporativistas. Com o poder que esses grandes empresários possuíam, não era muito difícil convencer legisladores a cooperarem. A partir daí, começaram a passar leis anti-trust que tinham um objetivo completamente diferente além daquele que seu nome sugere. O intervencionismo afinal, não foi aplicado para acabar com o oligopólio criado pelas grandes empresas, mas sim para criar um, que não havia sido possível num mercado competitivo de laissez-faire. Os próprios grandes empresários da época foram a favor de tais intervenções, entre eles Henry Morgan e os grandes nomes da indústria ferroviária. Atualmente o McDonalds é um exemplo de empresa que luta por todo tipo de intervenção governamental. Ou será que as próprias empresas querem uma legislação que vá em contra dos seus interesses?
Não há um exemplo no mundo de monopólio sem que antes uma interferência estatal não tivesse garantido esse privilégio ao monopolista. Pelo outro lado, há inúmeros exemplos de monopólios garantidos pela própria legislação. O próprio Estado(no sentido mais amplo) é um exemplo de monopólio da força e da justiça. Resumindo, o privilégio de um monopólio só pode ser criado pelo Estado e não como resultado do livre-mercado.
Atualmente as empresas dominantes nos setores mais livres, não são dominantes porque não há concorrência, mas sim porque oferecem um bom serviço. Imagino eu que seu site de pesquisa favorito seja o google, que o seu meio de comunicação mais usual seja o WhatsApp, que o app de carona que você prefere seja o Uber, que seu refrigerante favorito seja da Coca-Cola ou o Guaraná Antártica ou você que gosta de videogame prefira o Fifa ao Pes.
As pessoas que defendem a intervenção por meio da legislação com agências reguladoras menosprezam completamente o poder do mercado, de evoluir e achar medidas cada vez mais eficientes e baratas que melhoram nosso padrão de vida. Não se imaginava a criação de automóveis ou de aviões quando o setor ferroviário e naval dominavam completamente o setor dos transportes no mundo. Os computadores por exemplo, devastaram o mercado das máquinas datilográficas quando começaram a ser comercializados. O exemplos são de fato, incontáveis.
Todas essas inovações foram permitidas porque havia liberdade para inovar. À medida que seja cada vez mais difícil e menos incentivadora a inovação, realmente possuiremos um mercado estagnado, devagar e monopolista.
O ser humano possui um instinto natural de ser criativo e inovador mas o aparato estatal burocrático dificulta que ele o seja já que isso significaria mais concorrência para “os colegas” do governo. Um indivíduo criativo que não tem condições de abrir seu próprio negócio por conta das dificuldades autoritárias impostas pelo governo faz com que este trabalhe para um empresário desonesto que possui contatos no governo, em vez de tornar-se um potencial concorrente.
Conclusão
Minha intenção é alertar a quem eu puder das ações autoritárias de governos. Toda vez que um governo disser que aprovará certa medida pelo bem da população, desconfie e questione se isso é realmente verdade e necessário ou se tal medida viola os princípios da ética e da moralidade.
Nunca esqueça, o governo não te representa, você mesmo se representa, jamais confie em políticos populistas. A tendência dos governos é expandir-se cada vez mais, sempre com discursos bonitos mas a expansão do governo implica necessariamente na supressão da liberdade individual. Que nada nos faça abrir mão da nossa liberdade.
A verdade é que a tendência seja piorar já que os meios de propaganda estatais são bastante ativos e a população que não busca informar-se por outros meios normalmente não percebe o perigo dos programas governamentais. A propaganda é propagada das mais diversas formas: nas escolas, nos meios de comunicação ou por meio de intelectuais que atuam junto ao governo.
Vivemos em um país onde temos que pedir autorização a um burocrata para realizar qualquer tipo de comércio e isso piora a cada dia que passa.
Seguiremos assim até que a população se conscientize e tenha mais apreço pela própria liberdade e se dê conta de quão ruim são essas intervenções em suas vidas. Não nos deixemos enganar pela propaganda silenciosa para alertar-nos como ela é feita, identificar-la e combatê-la.
"Ideias e somente ideias podem iluminar a escuridão" - Ludwig Von Mises
Arthur Falcão
Muitas pessoas descrevem o período no qual vivemos como neoliberalismo, que sua diferença para o liberalismo clássico seria a existência de órgãos estatais reguladores cuja função seria evitar a concentração de um mercado nas mãos de poucas empresas, que segundo elas seria o resultado do livre mercado e assim justificam a existência de empresas reguladoras burocráticas. O mais interessante é que justamente os setores onde há mais regulação estatal são os mesmos setores onde o serviço é pior. Vou começar falando do caso brasileiro, no setor de telecomunicações, que é completamente regulado pela Anatel. Por que o serviço de rede no Brasil é tão ruim? Por que o serviço de redes é tão mais caro aqui do que em países onde não há ou há menos regulação?
Pois é, essa é uma prova de como a intervenção por meio de uma agência reguladora não evita, mas sim é a principal causa da falta de competição no mercado. Por que nos países onde a regulação é menor, como no Japão, Coréia e EUA não se formam coalizões entre as grandes empresas para controlar todo o setor de telecomunicações?
Do ponto de vista econômico, a burocracia não é benéfica, ela não possui nenhuma utilidade econômica, o que leva a crer que isso é apenas mais uma intervenção do governo que faz dessas empresas um meio para realização de favores políticos. Não são raros os casos onde “colegas” do governo são indicados para dirigir tais empresas onde recebem supersalários ou empresas estatais onde há vários cargos inúteis e improdutivos, como é o caso dos Correios, onde há 8 vice-presidentes. Tudo isso é pago com dinheiro tomado a força da parte produtiva da população.
Além do parasitismo, essas empresas reguladoras ainda impedem, junto com a legislação que empresas estrangeiras entrem no mercado brasileiro para oferecer seu serviço. A burocracia é tão pesada que grandes empresas de telecomunicações como as asiáticas ou americanas preferem não entrar no mercado para buscar lucro. No final das contas o governo apenas permite que entrem empresas lobistas no mercado.
O resultado final é que o governo elimina a concorrência, não permite o investimento externo e acaba com potenciais novos empregos. Terminamos por pagar por um serviço pífio das operadoras e pelos salários dos empregados anti-produtivos da Anatel. Essa intervenção por meio de regulação serve apenas para criar mais cargos desnecessários que são assalariados com dinheiro público.
O oligopólio é notado quando você, revoltado por receber apenas 10% da velocidade ofertada, migra de uma operadora para outra. Ao princípio o serviço melhora mas com o passar do tempo começa a piorar e ao final fica do mesmo nível que já era oferecido pela operadora anterior. A população é enganada pela propaganda estatal suja, que se aproveita da ignorância para passar suas medidas monopolistas.
Além da Anatel, existem muitos outros exemplo brasileiros de regulação que apenas servem para dificultar a vida da população. O MEC(Ministério da Educação) por exemplo, estipula que os professores com formação no Brasil tenham preferência na hora da contratação em instituições de ensino. Ou seja, a educação brasileira regulada pelo MEC é tão ruim que o próprio MEC tem que incentivar as universidades e escolas a contratarem professores com diplomas carimbados pelo MEC. Outras pessoas que tiveram uma formação no exterior ficam em segundo plano ou às vezes nem mesmo têm seu diploma reconhecido, já que para o MEC o importante é o diploma carimbado pelo burocrata e o conhecimento acaba ficando de lado. O MEC apenas reconhece como centro de ensino aquele instituto que possui sua autorização para tal, após ter passado pelos requerimentos e cumprir com todas as suas medidas autoritárias. Se alguém decidir dar aula de forma clandestina será punido por meio de multa ou pior. Resumindo, um burocrata diz que você só poderá dar aula se estiver de acordo com as normas que ele mesmo estipulou e se você não concorda não lhe resta outra coisa a não ser obedecer ou atuar ilegalmente. Por essa razão muitas pessoas desistem de abrir a própria instituição de ensino já que não se veem capazes de cumprir com todas essas medidas e acabam trabalhando como professores em outras escolas. Mais uma vez, o governo destruindo empregos e a competição.
Anvisa, agência da inconveniência
Na minha opinião, o pior exemplo de órgão regulador brasileiro é a Anvisa, uma instituição que atua de maneira autoritária, digna de ditadura.
Primeiramente, muitas pessoas dizem que a regulação da Anvisa é importante para que não se vendam produtos estragados ou fora da validade aos consumidores. Mas então trago um questionamento a essas pessoas: já que a Anvisa só foi fundada em 1999, será que até sua fundação, comíamos produtos estragados e não sabíamos?
Vou citar alguns exemplos do autoritarismo da Anvisa:
Em 2009 a Anvisa estipulou que centenas de remédios não ficariam mais à disposição direta dos consumidores nas farmácias, que então teriam que ir a médicos especializados para que o médico então, lhe autorizasse a comprar o remédio. Não é porque algumas pessoas utilizam de maneira irresponsável os remédios que eles devem ser regulados. Será que daqui um tempo nos pedirão para ir a um psicólogo para saber se podemos ingerir bebidas alcoólicas? O pior de tudo é que o próprio povo gosta de ser tratado como idiota, onde alguém tem que lhe dizer o que pode ingerir ou não , e o comprova ao aceitar e às vezes até apoiar medidas autoritárias como essa.
A Anvisa proíbe o comércio de vários produtos artesanais mas permite que estes mesmos produtos sejam vendidos industrializados. Qualquer produto a ser comercializado deverá possuir um selo da Anvisa. Se você plantar maçãs na sua casa e vendê-las sem um selo da Anvisa, estará sujeito a multa como punição porque a Anvisa acha que sua maçã é perigosa demais para ser consumida sem o seu selo de aprovação. Não é atoa que cada vez mais os produtos industrializados têm tomado conta do mercado e os produtos caseiros vêm desaparecendo e migrando para o mercado informal.
Se você comprar algum produto como suplementos pela internet, que vem de fora do Brasil e enviá-lo para cá, a Anvisa apenas permitirá que você o receba caso a mesma Anvisa diga que o seu uso e eficácia sejam de fato seguro e comprovados, caso contrário eles manterão seu produto retido, ou seja, roubam o seu produto, já que eles, não você, devem decidir o que você deve ou não consumir. Diferente do setor privado a agência não irá te perguntar se você quer ou não os seus serviços, assim você é obrigado a aceitá-los e ainda pagar por eles.
Com esses exemplos dá para perceber como a Anvisa funciona de forma a retirar bons produtos dos nossos alcances por produtos de pior qualidade. Como nos dificulta a vida, obrigando uma pessoa, que muitas vezes tem de pegar um ônibus e esperar horas para ser atendido para simplesmente um médico lhe passar a receita de um medicamento básico. A Anvisa age querendo proteger você de você mesmo e ainda assim, o pior é que parte da população ainda concorda com essas medidas, que dão a entender que não somos mais seres humanos racionais, mas sim um bando de imbecis.
Outro exemplo de intervenção estatal que me leva realmente a questionar se os legisladores de fato pensaram antes de aprová-la é aquela que aumenta os impostos sobre produtos que “fazem mal à saúde”. Aqui no Brasil, nós pagamos mais pelos impostos do que pela própria bebida. Os impostos sobre bebidas alcoólicas chegam a valer 80% do preço final do produto, o preço que aparece nas prateleiras. Ou seja, um produto cujo preço real deveria ser de 20 reais termina por custar 100, adicionadas as taxas. O resultado disso é que a população de baixa renda que poderia consumir um produto de boa qualidade por 20 reais, não tem mais condições financeiras de consumir-lo, e agora tem que consumir um produto de qualidade muito inferior pelos mesmos 20 reais, cujo preço real seria de 4 reais. Essa é mais uma medida elitista do governo e a prova de que o governo não te representa. Em pouco tempo, se alguém quiser se embriagar terá de consumir álcool em gel.
A origem dos monopólios
Sobre a origem dos monopólios, os intervencionistas afirmam que a origem das agências reguladoras foi o resultado da formação de trusts no mercado.
Se você olhar para a história, mais precisamente no final do século XIX, verá que os primeiros monopólios e oligopólios foram formados justamente porque grandes empresas tinham dificuldades em concorrer num livre mercado, quando não haviam barreiras burocráticas para as classes mais baixas abrirem um novo negócio, e assim cada vez mais empresas entravam para competir com essas grandes empresas. Os grandes empresários, vendo sua parcela de mercado(market share) sendo reduzida pouco a pouco, se sentiram ameaçados e apelaram para agentes governamentais para que seu negócio não fosse prejudicado, tornando-se verdadeiros corporativistas. Com o poder que esses grandes empresários possuíam, não era muito difícil convencer legisladores a cooperarem. A partir daí, começaram a passar leis anti-trust que tinham um objetivo completamente diferente além daquele que seu nome sugere. O intervencionismo afinal, não foi aplicado para acabar com o oligopólio criado pelas grandes empresas, mas sim para criar um, que não havia sido possível num mercado competitivo de laissez-faire. Os próprios grandes empresários da época foram a favor de tais intervenções, entre eles Henry Morgan e os grandes nomes da indústria ferroviária. Atualmente o McDonalds é um exemplo de empresa que luta por todo tipo de intervenção governamental. Ou será que as próprias empresas querem uma legislação que vá em contra dos seus interesses?
Não há um exemplo no mundo de monopólio sem que antes uma interferência estatal não tivesse garantido esse privilégio ao monopolista. Pelo outro lado, há inúmeros exemplos de monopólios garantidos pela própria legislação. O próprio Estado(no sentido mais amplo) é um exemplo de monopólio da força e da justiça. Resumindo, o privilégio de um monopólio só pode ser criado pelo Estado e não como resultado do livre-mercado.
Atualmente as empresas dominantes nos setores mais livres, não são dominantes porque não há concorrência, mas sim porque oferecem um bom serviço. Imagino eu que seu site de pesquisa favorito seja o google, que o seu meio de comunicação mais usual seja o WhatsApp, que o app de carona que você prefere seja o Uber, que seu refrigerante favorito seja da Coca-Cola ou o Guaraná Antártica ou você que gosta de videogame prefira o Fifa ao Pes.
As pessoas que defendem a intervenção por meio da legislação com agências reguladoras menosprezam completamente o poder do mercado, de evoluir e achar medidas cada vez mais eficientes e baratas que melhoram nosso padrão de vida. Não se imaginava a criação de automóveis ou de aviões quando o setor ferroviário e naval dominavam completamente o setor dos transportes no mundo. Os computadores por exemplo, devastaram o mercado das máquinas datilográficas quando começaram a ser comercializados. O exemplos são de fato, incontáveis.
Todas essas inovações foram permitidas porque havia liberdade para inovar. À medida que seja cada vez mais difícil e menos incentivadora a inovação, realmente possuiremos um mercado estagnado, devagar e monopolista.
O ser humano possui um instinto natural de ser criativo e inovador mas o aparato estatal burocrático dificulta que ele o seja já que isso significaria mais concorrência para “os colegas” do governo. Um indivíduo criativo que não tem condições de abrir seu próprio negócio por conta das dificuldades autoritárias impostas pelo governo faz com que este trabalhe para um empresário desonesto que possui contatos no governo, em vez de tornar-se um potencial concorrente.
Conclusão
Minha intenção é alertar a quem eu puder das ações autoritárias de governos. Toda vez que um governo disser que aprovará certa medida pelo bem da população, desconfie e questione se isso é realmente verdade e necessário ou se tal medida viola os princípios da ética e da moralidade.
Nunca esqueça, o governo não te representa, você mesmo se representa, jamais confie em políticos populistas. A tendência dos governos é expandir-se cada vez mais, sempre com discursos bonitos mas a expansão do governo implica necessariamente na supressão da liberdade individual. Que nada nos faça abrir mão da nossa liberdade.
A verdade é que a tendência seja piorar já que os meios de propaganda estatais são bastante ativos e a população que não busca informar-se por outros meios normalmente não percebe o perigo dos programas governamentais. A propaganda é propagada das mais diversas formas: nas escolas, nos meios de comunicação ou por meio de intelectuais que atuam junto ao governo.
Vivemos em um país onde temos que pedir autorização a um burocrata para realizar qualquer tipo de comércio e isso piora a cada dia que passa.
Seguiremos assim até que a população se conscientize e tenha mais apreço pela própria liberdade e se dê conta de quão ruim são essas intervenções em suas vidas. Não nos deixemos enganar pela propaganda silenciosa para alertar-nos como ela é feita, identificar-la e combatê-la.
"Ideias e somente ideias podem iluminar a escuridão" - Ludwig Von Mises
Arthur Falcão